Boavista: A queda de um gigante

By oonline

Miguel Pereira

Em 2001, o Boavista sagrar-se-ia campeão nacional. Era o momento mais alto deste clube da cidade invicta, que sempre viveu na sombra do FC Porto. Sete anos depois, tudo é diferente para os lados Bessa; a colectividade atravessa a pior crise de que há memória. Os jogadores estão a algum meses sem receber o seu salário e a ameaça de fazer greve no jogo com o Nacional esteve bem perto de se concretizar.

Ao longo desta semana, o Boavista recebeu tanto protagonismo nos media como qualquer um dos três grandes. Infelizmente, tal aconteceu devido à grave situação financeira do clube e a ameaça de greve dos seus jogadores.

De repente, parecia que tinha chegado um D. Sebastião ao Bessa: o seu nome era Sérgio Silva, representante da empresa Castle Shore, com sede em Londres, e prometia injectar 38, 5 milhões de euros nos cofres dos “axadrezados”, o que permitia saudar os salários em atraso e diminuir um passivo de 90 milhões de euros. Um homem, que, segundo as finanças era pintor da construção civil e colocador de vidros, tinha um passado dúbio, caía como um autêntico furacão no Bessa.

Só que tudo não passou de um conto do vigário e o suposto salvador clube seria detido pela Polícia Judiciária para interrogações. Sairia das instalações da PJ do Porto com o Termo de Identidade e Residência. Pelo que parece, o Sérgio Silva foi detido na posse de cheques falsos e outros documentos de origem duvidosa.

Com tudo isto, a crise interna no clube agravou-se. Os jogadores “axadrezados”, fartos das promessas da direcção, tiveram uma reunião com Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) e concluíram que a melhor solução seria avançar para a greve. Contudo, na véspera do jogo com o Nacional foram dadas garantias aos atletas boavisteiros e a equipa, demonstrando um grande profissionalismo, não só compareceu no encontro como também o venceu. Ao que o Online apurou, foram os adeptos “axadrezados” que contribuíram para que um mês de salário fosse pago aos jogadores. Além disso, um grupo de associados criou uma conta para o ajudar o clube a sair da situação financeira.

Esperança numa resolução

De modo a tentar saber mais sobre a situação, O Online chegou à fala com um jovem boavisteiro que nos deu a opinião sobre uma situação que não surpreende ninguém para os lados do Bessa

“Quando o João Loureiro saiu, os adeptos mais lúcidos já sabiam há muito tempo do buraco enorme que tinha acontecido dentro do Boavista”, começa por referir Diogo Faria, de 19 anos. O sócio “axadrezado” nº8291 considera Joaquim Teixeira, presidente do Boavista, um “homem honesto” e acima de tudo “um grande boavisteiro”, que está auxiliado de homens experientes, como Álvaro Braga e Tomás Rijo. No entanto, Diogo encara-o como “um dirigente pouco frio e ingénuo”, que o desespero levou a aceitar a ajuda da primeira pessoa que apareceu.

O jovem boavisteiro esteve ao longo da última semana no Bessa para testemunhar de perto os piores dias da história da sua equipa, e descreveu-nos o clima no reino da pantera, particularmente algumas situações absurdas e dramáticas no plantel: “Estive lá desde quarta-feira, mas muito pouco adianta, porque a confusão é enorme. Os adeptos estão revoltados, vi pessoas a chorar, desesperadas. Os jogadores estavam completamente em baixo”, frisa, acrescentando que teve oportunidade de falar com o guarda-redes do clube Peter Jehle, que, de acordo com Diogo, é “uma pessoa muito humilde e fantástica”.

O culpado do caos que o Boavista atravessa é só um: João Loureiro. “Foi a pior gestão que algum clube poderia ter tido. Ele não soube reparar na disparidade de receitas e despesas, demonstrando imensa incompetência no âmbito financeiro”, analisa Diogo, embora seja da opinião que o Boavista foi prejudicado com a construção do novo estádio, pois foi o clube que menos verbas recebeu para a construção do mesmo. Pensa, contudo, que, na altura da entrada de João Loureiro para presidente do clube, se idealizou um projecto “que estava para além do que era o Boavista”.

No último domingo, Diogo esteve no Bessa a assistir à vitória da sua equipa ante o Nacional. Mais do que o triunfo, Diogo ficou satisfeito com a união dos jogadores. Apesar das dificuldades, o jovem “axadrezado” tem a remota esperança que tudo se vai resolver. E assim esperam todos aqueles que, como ele, amam o Boavista.

P.S. Conta criada pelos adeptos do Boavista para ajudar do clube:
NIB: 0043 0001 0400 1005 75983.
IBAN: PT50 0043 0001 0400 1005 75983

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Uma Resposta para “Boavista: A queda de um gigante”

  1. Dalio Diz:

    Grande Diogo aí… é realmente a voz de todos os PN e Boavisteiros, porque o que ele disse é verdade. O Boavista não está morto…

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