Fábio Canceiro
As famílias que habitavam nos três prédios que foram evacuados no Bairro da Serra da Luz, Odivelas, por estarem em risco de derrocada, acusam a Câmara Municipal de os ter enganado com “falsas promessas” de uma habitação melhor.
Duas semanas depois, “continua tudo na mesma”: Os três prédios da Rua Dom Afonso Henriques continuam selados a aguardar ordem de demolição e os seus moradores hospedados numa pensão de Lisboa à espera de uma resposta das autoridades camarárias.
De acordo com a autarquia, os três lotes construídos numa zona não apta para construção, “encontravam-se em perigo eminente de derrocada”, e por essa razão decidiram no dia 20 de Fevereiro retirar os seus moradores e realojá-los “provisoriamente” numa pensão de Lisboa.
“Chegaram lá de manhã e disseram-nos que tínhamos de sair ainda nesse dia”, recorda Maria do Carmo, reformada por invalidez, residente no bairro há 36 anos.
“Ainda me lembro do dia que cá cheguei, pouco tempo depois de me ter casado”, recorda emocionada.
Aos 57 anos e com vários problemas de saúde, Maria diz que aquilo que lhe aconteceu “foi uma verdadeira bomba”.
“Eu vivo com imensos problemas, o meu marido só tem um pulmão, e agora isto”, lamenta.
Os moradores confessaram que o “seu maior drama é o impasse gerado na atribuição de novas moradias”. Dizem-se “enganados e abandonados por quem no início lhes prometeu ajudar a refazer a sua vida”.
“No início tivemos muito apoio de psicólogos e dos funcionários da câmara. Não nos largavam”, contam
Para Paulo Conceição, residente no bairro há 26 anos, tudo não passou de “uma tentativa de minimizar a situação”.
“Quiseram evitar problemas e mesmo confrontos”, acusa. “Sabiam bem que jamais sairíamos a bem se soubéssemos a verdade”.
Fausto Gomes, pedreiro de manutenção, reforça as acusações dos vizinhos. Está convencido que aquilo que a câmara fez foi “uma verdadeira caça ao devoto”.
“Prometeram-nos que íamos para um sítio melhor e no final veja onde acabamos”, acusa.
Em declarações à Lusa o vereador José Esteves Ferreira assegurou que “as pessoas não têm motivo para se sentirem enganadas porque a câmara municipal está atenta à situação de cada uma das famílias”.
“Temos mantido reuniões com o Instituto de Habitação e com a Segurança Social de forma a conseguirmos em tempo aceitável encontrarmos uma solução definitiva para estas famílias”, explica.
Fausto diz que no máximo, o vão ajudar “a pagar duas ou três mensalidades de uma casa que venha a arrendar, mas confessa que “mesmo assim não está satisfeito”.
“Sinceramente não sei que pensar. Sinto uma grande revolta dentro de mim”, diz.
José Esteves explicou às Lusa que esta “solução foi de recurso, uma vez que nenhuma das famílias está inscrita no Plano Especial de Realojamento (PER) “.
“Nunca prometemos nenhuma casa, apenas dissemos aos moradores que seria uma situação provisória. Aquilo que posso assegurar é que estamos altamente empenhados em solucionar este problema o mais rapidamente possível”, declarou.
O vereador explicou, ainda, que estão a ocorrer atendimentos sociais individualizados “de forma a perceber-se quem são aqueles que mais precisam”.
“Vamos tratar cada caso de forma individualizada. Cada caso é um caso”, rematou.
Entretanto, a Lusa esteve na pensão onde as 28 pessoas alojadas vão tentando refazer a sua vida. Umas continuam à espera de uma resposta positiva, outras dizem-se conformadas e afirmam que vão procurar casa por conta própria.
Um desses casos é o de Paulo Conceição que já começou a ver algumas casas para arrendar.
“Uma vez que estamos à nossa sorte não me resta outra alternativa senão procurar uma casa para viver. Assim é que não posso continuar”, diz.
De acordo com informações recolhidas junto da câmara não “existe ainda qualquer data prevista para a demolição dos prédios assim como para o desfecho deste processo.
“Queremos fazer uma análise cuidada, daí necessitarmos de mais tempo para aplicarmos as ferramentas que se adeqúem a cada um dos casos”, explicou.
Até que sejam resolvidos todos os casos, as famílias ficarão alojadas numa pensão subsidiada pela segurança social e com transporte escolar assegurado para os quatro menores que habitavam nos edifícios evacuados.
Foto:LUSA

Janeiro 26, 2009 ás 9:07 pm
Não sei se é do vosso conhecimento, mas no seguimento deste realojamento “forçado” numa pensão, um dos habitantes da serra da luz acabou por falecer, vitima da pressão exercida pela Protecção Civil e Câmara Municipal de Odivelas.
Se necessitarem de mais pormenores podem contactar-me através do e-mail.
Atenciosamente